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As histórias que contamos a nós mesmos

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Aprender Astrologia 2017.11.21

Todos somos heróis. Cada pessoa é um explorador de mundos, por mais simples e despovoada de sentido que pareça a sua vida. Há o mundo lá fora, a abarrotar de experiências e factos, das emoções e opiniões das outras pessoas. E depois há o mundo cá dentro, com as nossas emoções e opiniões, as nossas dúvidas e certezas, os nossos desejos conscientes e inconscientes. Estamos em permanente navegação, num mundo e no outro e na ténue e subtil fronteira entre ambos... Até mesmo enquanto dormimos, estamos a navegar - ainda que utilizando um painel de instrumentos muito diferente do que utilizamos quando acordados.

Tanta navegação precisa de algum tipo de orientação, certo? É para isso que serve a nossa bússola interior.

Podemos chamar-lhe ética, princípios, integridade ou outra coisa qualquer. Aquela parte de nós que distingue o bom do mau, o justo do injusto, e assim por diante.

A nossa bússola não é um computador ou uma calculadora, de onde se possam extrair resultados 100% corretos e imutáveis. Introduzindo os mesmos dados, a resposta vai-se alterando ao longo do tempo, à medida que as nossas experiências nos vão ensinando a lidar com as infinitas tonalidades de talvez que existem entre o não e o sim.

Isso acontece porque a bússola interior que nos orienta a vida é apenas a face mais visível da nossa mitologia pessoal. E que é isso de mitologia pessoal? São as histórias que contamos a nós mesmos. Sobre heróis e vilões, e vítimas inocentes que precisam de ser salvas e deuses que precisam ser apaziguados.

Essas histórias não vivem apenas nos contos infantis ou nos filmes fantásticos. Heróis somos nós e aqueles que amamos, vilões são os maus chefes, os maus políticos, os maus amigos, os invejosos e os incompetentes que nos atrasam a vida... Vítimas podemos ser, ou então guerreiros - depende da mitologia de cada um. E deuses são todas as pessoas, instituições ou até circunstâncias que exercem uma influência omnipotente e omnipresente na nossa existência.

No Mapa Astrológico, Júpiter é o planeta-símbolo da nossa mitologia pessoal, da nossa bússola interior. A sua posição reflete que tipo de oportunidades mais valorizamos, que tesouros procuramos encontrar na nossa navegação dos mundos e de que forma esses tesouros vão ampliar os nossos horizontes materiais, emocionais, intelectuais e espirituais.

Em Júpiter encontramos muitas pistas sobre o modo como atribuímos significado e propósito e a tudo o que nos acontece.

Perder a carta de condução, é um inconveniente monumental ou a oportunidade para fazer mais exercício físico?

Ficar sem emprego, é uma péssima notícia ou a possibilidade de encontrar um trabalho mais gratificante?

Que histórias contas a ti própria nestas circunstâncias? "Malditos polícias, que não tinham nada que me apreender a carta caducada!" ou "Eu já devia ter tratado deste assunto, agora é aceitar as consequências e não me chatear mais com isso..."

E perante uma situação de desemprego, a tua bússola interior aponta uma vítima da injustiça do mercado laboral, ou um herói que consegue vencer qualquer circunstância, por mais adversa que possa parecer?

Pensa um pouco nas histórias que ouves em loop na tua cabeça. Parecem-te um auxiliar precioso à "navegação", ou será que te mantêm amarrada a crenças negativas que prejudicam o desenvolvimento das tuas relações e da tua carreira profissional?

Às vezes pequenos ajustes à tua bússola interior podem mostrar-te uma nova perspetiva sobre um determinado assunto, sem com isso comprometer os teus valores fundamentais.

Na história em que o teu coração ficou partido, o sacana do ex transforma-se no gajo com quem partilhaste qualquer coisa de bom durante algum tempo. Na história em que te sentiste traída, o inimigo em quem nunca devias ter confiado torna-se no amigo tão falível como tu, sobre o qual depositaste expetativas demasiado elevadas.

Vais assim aperfeiçoando as histórias que contamos a ti mesma, e com isso melhorando as tuas capacidades de (sobre)vivência no mundo lá fora e no mundo cá dentro. A tua mitologia pessoal torna-se mais refinada e sintonizada com a tua verdadeira natureza filosófica e espiritual. E encontras um renovado sentido de oportunidade para lidar com ventos e marés exteriores e interiores, onde quer que te possam levar.

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