astrologia consciente
Blog

Quíron, o Curandeiro Ferido

Tens uma questão?
Image
Aprender Astrologia 2018.03.20

Em 1977, foi identificado um planetóide cuja órbita se encontra entre as de Saturno e Urano. Inicialmente considerado um asteróide, a sua órbita muito excêntrica levou-a a ser classificado também como cometa, dando origem a uma nova classe de corpos celestes até então desconhecidos, e que foram designados pelos astrónomos por “centauros”. A este primeiro centauro, chamaram Quíron.

Uma antiga profecia dos nativos americanos anuncia que os ensinamentos do Guerreiro Sagrado regressarão à Terra quando o planeta da Cura for descoberto nos céus.

Na Mitologia Grega, Quíron era o mais notável dos centauros. Tal como os sátiros, a generalidade dos centauros levava uma vida de diversão e deliquência. Mas Quíron não partilhava da mesma linhagem dos seus pares. Filho de Cronos e da ninfa Philyra, era um centauro inteligente, civilizado e amável, excelente professor, e conhecia como ninguém os segredos da Medicina e da Astrologia. A nobreza de Chiron ficou definitivamente registada na mente colectiva com a história da sua morte.

Enquanto filho de um titã, Quíron era imortal. Num incidente entre Hércules e outros centauros, Quíron foi inadvertidamente atingido na coxa por uma das flechas envenenadas com o sangue de Hydra que ele próprio havia oferecido a Hércules. Ferido, Quíron optou por uma vida de reclusão, procurando sozinho uma cura para a dor que lhe havia sido inflingida e que, por mais que o magoasse, jamais seria fatal. Mas ele, que durante tanto tempo fora o mestre de todas as curas, nunca foi capaz de curar-se a si próprio. Passado algum tempo, Hércules visitou Quíron e propôs-lhe uma forma de terminar com o seu sofrimento. Para salvar a vida de Prometeu (acorrentado a um rochedo por tentar roubar aos deuses a chama sagrada do Conhecimento), era necessário que um ser imortal abdicasse voluntariamente da sua imortalidade. Assim, Hércules propôs a Quíron que se sacrificasse, salvando Prometeu e acabando com a sua própria dor. Quíron acedeu a morrer pela liberdade de Prometeu, e pôde finalmente ascender aos céus e descansar em paz.

 

Quíron em Astrologia

O “Curandeiro Ferido” revela a ferida mais profunda de cada um de nós, aquela que não pode ser curada, mas que deve ser transcendida através da cura das feridas dos outros. Quíron estimula-nos a aprender com o maior dos sofrimentos, e a transcendê-lo ajudando outras pessoas a ultrapassar as suas próprias feridas. Ironicamente, e como a figura mitológica, seremos capazes de ensinar aquilo que nós próprios não somos capazes de fazer.

No mapa astrológico, Quíron mostra de que forma podemos (e devemos) exercer uma influência curativa nos outros. Essa capacidade raramente se manifesta em termos de cura física, mas sobretudo no que diz respeito a cura emocional, mental ou espiritual. A energia de Quíron estabelece uma ponte entre Saturno e Urano, e por isso pode também indicar uma área da vida onde a repressão cultural (Saturno) sobre a liberdade individual (Urano) é mais profunda, e onde por isso há uma maior vontade de revolta contra o status quo. Pode ser necessário muito tempo para reconhecer e mitigar as dores dessa ferida. Quíron mostra uma parte de nós que consideramos de algum modo inaceitável e, simultaneamente, imutável. No entanto, aquilo que aprendemos ao lidar com as dores quirónicas pode (e deve!) ser colocado ao serviço das outras pessoas.

A cura proposta por Quíron é a da auto-aceitação, mesmo que isso implique uma inconformidade social. Compete-nos elevarmo-nos acima daquilo que encaramos como “restrições”, das respostas condicionadas pelo “como deve ser” com as quais funcionámos durante a maior parte das nossas vidas. À medida que vamos avançando, encontramos formas cada vez mais criativas de lidar com isso e seguir em frente, e tornamo-nos capazes de auxiliar pessoas com feridas quirónicas idênticas.

Partilha este artigo
© 2017 - 2022. Astrologia Consciente - Todos os Direitos Reservados