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Ser Mãe: a incerteza financeira e o maior de todos os desejos'

Tens uma questão?
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Família 2017.09.14

Tenho uma filha e não sei se devo ter mais filhos ou não. Com 38 anos parece-me tarde. Além disso, esta crise económica, cortes nos vencimentos, deixa-me com muito medo de perder a pouca qualidade de vida que tenho e que posso proporcionar à minha filha neste momento. Mas sei que dar-lhe um irmão enriqueceria a sua vida e a minha.

Filomena Antunes, Porto

Ter um filho é a resposta biológica, emocional e espiritual que muitas mulheres escolhem para preencher um amplo conjunto de necessidades, muitas delas inconscientes mas nem por isso menos válidas. A Astrologia observa o processo da maternidade de várias perspetivas complementares. Por um lado, trazer ao mundo um novo ser humano é o derradeiro ato de criação. É materializar o nosso poder criativo individual, enquanto crianças do Cosmos com uma centelha divina que nos anima a iluminar o mundo com aquilo que temos de melhor, de mais apaixonante. Nesse sentido, podemos dizer sem juízo de valor que ter um filho é um ato egoísta - não no sentido negativo que esta palavra habitualmente tem, mas no sentido em que o nosso ego sempre procura ver-se refletido, prolongado, imortalizado em tudo aquilo que cria.

A maternidade enquanto ato de criação é simbolizada pela casa 5 do mapa astrológico, pelo signo de Leão e pelo Sol, símbolo do ego e de todo o seu potencial criativo.

Mas os filhos não são apenas criações nossas. São também um elo na longa cadeia familiar que nos liga aos nossos antepassados, e aos descendentes que ainda hão-de vir. Como nós, os filhos fazem parte de uma longa linhagem que contém em si mesma um vasto conjunto de características, experiências, aprendizagens. O nosso clã, as relações dentro do clã, e as interações do clã com o mundo exterior. O interminável ciclo de nascimento, amadurecimento e morte, perpetuando-se geração após geração. Nesse ciclo encontramos as nossas raízes, as tradições e os valores dos muitos que viveram antes de nós.

Tudo isso contribui para fortalecer os laços que nos ligam àqueles a quem chamamos de família, que asseguraram a nossa sobrevivência quando éramos demasiado imaturos para vingar sozinhos, que nos ensinaram o que precisamos para nos sentirmos seguros e amados. Ter um filho é então dispormo-nos a continuar essa linhagem através do vínculo emocional, do cuidado e da nutrição de alguém, tornando-nos raízes que sustentam o crescimento e desenvolvimento dessa pessoa que estará para sempre ligada a nós, aconteça o que acontecer.

A maternidade enquanto ato de amor-cuidado, amor-segurança e amor-raízes está indelevelmente associada à casa 4 e ao Fundo-do-Céu, ao signo de Caranguejo e à Lua, símbolo das emoções e dos instintos, dos ciclos biológicos e da fertilidade.

No seu mapa astrológico, Filomena, a maternidade reveste-se de um profundo carácter espiritual (Neptuno em Sagitário conjunto ao Fundo-do-Céu, em trígono a Júpiter; Leão está no início da casa 12). Apesar da sua tendência para dominar tudo o que diga respeito à esfera da intimidade emocional, a ligação à família desafia esse seu lado mais independente e enérgico, convidando-a a sacrificar os seus desejos individuais pelo bem do seu clã, pelas pessoas com quem partilha a sua vida privada - filhos incluídos, claro. Curiosamente, há aqui uma intensa necessidade de cuidar e ser cuidada que se estende muito para além da sua família, e que é provável que envolva amigos, conhecidos e até desconhecidos - através de acções de voluntariado e/ou associativismo social, por exemplo. (Não excluiria a possibilidade de, em algum momento da sua vida, dedicar uma parte do seu enorme afeto a crianças em situação de risco.)

Olhando a maternidade enquanto ato criativo no seu mapa astrológico, percebo perfeitamente o porquê das suas reservas, da sua prudência. Independentemente das circunstâncias do país serem ou não desfavoráveis (e neste momento são, para quase todas as pessoas), a sua criatividade gosta de planos, de previsões, de pragmatismo (a casa 5 começa em Capricórnio). Tem de haver estrutura naquilo que a apaixona: se quisesse expressar-se pintando um quadro, por exemplo, imagino que fizesse uma pesquisa exaustiva sobre a qualidade das tintas e das telas, das técnicas e dos temas. Teria de ser um quadro com um propósito bem definido, com um objetivo no médio e no longo prazo, e que resistisse à passagem do tempo. O seu lado criativo é muito perfecionista e responsável, o que a impede de olhar para a maternidade com uma atitude um pouco mais espontânea, mais descontraída, mais que se lixe! arrisco e logo vejo no que dá!.

Para terminar - e porque o seu mapa astrológico, em particular, fala de maternidade de tantas formas que não cabem aqui todas! - é provável que se sinta insuficiente no amor que pode dar enquanto mãe, e no amor que merece receber enquanto criança que nunca deixará de ser (Saturno em Caranguejo). Essa insuficiência é uma perceção sua, não reflete necessariamente as suas capacidades reais de dar afeto e cuidado aos seus filhos. Por esse motivo, ter filhos constitui para si um desafio extra, um desafio que em muito contribui para que enfrente e ultrapasse os seus receios de falta de apoio emocional.

Você é capaz de ser uma excelente mãe, e é essa a intuição com que fico depois de olhar todo o seu mapa. E uma excelente mãe em todos os aspetos - incluindo o aspeto material. Se as preocupações financeiras lhe pesam demasiado, procure alternativas nas quais ainda não tenha pensado. Aproveite a sua criatividade pragmática: trace um plano A, um plano B e um plano C para concretizar o que a apaixona. Explore alternativas, quer em termos de recursos (como posso complementar os meus rendimentos?) quer em termos de expressar a mãe carinhosa que vive dentro de si (quem pode beneficiar do meu afeto para além do meu filho ou da minha família?)

Reflita, analise cada aspeto em cada detalhe, planeie e reavalie cada plano. Quando se sentir preparada tomar uma decisão definitiva, confie na sua intuição, naquele instinto vindo sabe-se lá de onde que parece sempre saber a resposta certa. E sabe mesmo.

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