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Um pouquinho de Virgem, s.f.f.

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Relacionamentos 2017.11.06

Passei grande parte da adolescência rodeada de pessoas do signo Peixes: as primeiras melhores amigas, o primeiro namorado… Foi por essa altura que li o meu primeiro livro de Astrologia (recomendado precisamente por uma dessas amigas), e uma das primeiras impressões que tive foi “Ora bolas, porque é que há tanta gente Peixes?” Na realidade não seriam tantos assim, mas por alguma razão eu conhecia mais do que gostaria. As minhas amizades “piscícolas” foram sofrendo altos e baixos ao longo do tempo, até que dei por mim na faculdade convivendo com outras energias bem diferentes. Do período “Peixes” lembro-me do ter sido excessivamente crítica para com esses espécimes tão sensíveis, tão pouco dados ao rigor, às certezas absolutas, à previsibilidade. Porquê então falar de Peixes agora, se o título deste artigo chama por Virgem? É que a Astrologia – como tudo o resto no mundo "real" – vive de polaridade, de opostos. Para conhecer Virgem, não há como evitar Peixes. E no meu caso particular, com 3 planetas em Virgem, foi através de outras pessoas Peixes que eu aprendi a conhecer, a lidar e a tentar canalizar conscientemente tanta energia para qualquer coisa de construtivo. Ter vários planetas num mesmo signo (o chamado “stellium”) é, de certa forma, viver dominado por esse signo – no bom e no mau sentido. Torna-se tão natural expressar a sua energia (traduzida em pensamentos, comportamentos, emoções) que muitas vezes nem temos consciência dela. É como se vivêssemos num mundo todo azul: não saberíamos que o mundo é todo azul se não houvesse algures um pouquinho de vermelho para nos ensinar isso, pelo contraste. A diferença ensina-nos muitas coisas – e, apropriadamente, nenhum signo é tão apto a distinguir as diferenças como o signo de Virgem Fazendo então um pouco de “arqueologia dos relacionamentos”, foram precisas várias pessoas importantes na minha vida manifestando as energias de Peixes para que eu me apercebesse o quão Virgem sou. Para o bem e para o mal. É que quando somos crianças, os pais e educadores tendem a recompensar os comportamentos mais típicos de Virgem: “Ai que menino tão arrumado, até já faz a cama sozinho! Mas que cadernos tão organizados, muito bem! A minha filha é tão estudiosa e obediente, dá gosto ver…” Mas a imagem da “formiguinha” trabalhadora e submissa é apenas o lado mais superficial do signo. Se se restringirem apenas às preocupações materiais e mundanas, as pessoas com fortes energias de Virgem tendem a tornar-se híper-críticas (consigo e com os outros), obsessivas com os detalhes, frustradas com as suas próprias falhas e intolerantes com tudo o que identifiquem como “diferente” ou “pouco prático” ou (pior ainda, pecado capital!) … INÚTIL E é aqui que Virgem pode aprender com o vizinho do outro lado do Zodíaco, Peixes. É que o esforço de Virgem para discriminar, distinguir e otimizar deve ter como objetivo final a integração do corpo com a mente e com a alma. Os rituais do dia-a-dia podem e devem servir para cultivar uma atitude de atenção plena (ou mindfulness, como está na moda dizer-se Então, em vez de se estar a tratar da louça suja enquanto povoamos a cabeça com mil e um preocupações ou mesquinhices, concentramos o foco da atenção para o momento presente, para o “Serviço” (com S grande) que estamos a prestar a nós mesmos e ao mundo: produzir louça limpa. Hoje estou grata à enorme tolerância de Peixes e dos seus nativos, por me terem aturado as picuinhices durante tanto tempo. Ainda as tenho, claro: é difícil não julgar quando é tão fácil ver as diferenças, encontrar padrões, aplicar rótulos e classificar níveis de eficiência. Mas felizmente percebo que, não havendo nada de errado com perceber que há diferenças no mundo, não é de todo construtivo equiparar essas diferenças a superioridade/inferioridade, bom/mau. Emitir sentenças deste género é criar uma enorme distância entre nós e aqueles que são diferentes de nós, uma distância preenchida com impaciência, incompreensão e muita frustração de parte a parte.

Então tento usar a minha Virgem comigo mesma: alimenta-te bem, dorme o suficiente, faz exercício físico, não te irrites nem te preocupes – só por hoje, está tudo bem e tudo ficará bem. Usa esse sentido crítico para melhorar qualquer coisa, não para te juntares ao coro de vozes (demasiado abundantes) que se perdem em clamores e lamúrias por cada pedacinho de coisa mal feita que vêem no mundo. O que não conseguires fazer hoje, fazes amanhã. Organiza-te e nunca deixes de aprender, pois só assim farás cada vez melhor. Respira, repara nos pequenos detalhes deliciosos do quotidiano. Ri bastante. Mas não te esqueças de lavar a louça.

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