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Descobrir o Pai no Mapa Astrológico

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Image Fotografia de Andy Hutchinson
Família 2018.09.10

Uma das maiores utilidades da Astrologia Psicológica é a de nos ajudar a encontrar significado em muitos aspectos da nossa vida que, por diversas razões, permanecem misteriosos, incoerentes, difíceis de entender racionalmente. Isso é ainda mais verdade quando nos interessamos por aquilo a que gosto de chamar “Arqueologia dos Relacionamentos”. Em vez de perguntar “será que esta relação vai dar certo?”, aprendi aos poucos que é bem mais produtivo olhar – e fazer sentido! – do que começou lá atrás e se estende ao momento presente. O que muitos chamam de “bagagem emocional”.

A astro-arqueologia dos relacionamentos tem como tema central aquelas que são as relações mais precoces que estabelecemos. Para já falarei do Pai – a Mãe terá que ficar para outro artigo. O vínculo materno é talvez o primeiro que estabelecemos, ainda no útero, mas o pai não está de todo ausente durante o desenvolvimento embrionário. Ele é material genético, claro, mas regra geral também povoa o imaginário e as emoções da mãe, mesmo que por algum motivo possa estar ausente. Logo que entramos neste mundo a nossa “semente interior” começa a procurar os dois grandes pilares, masculino e feminino, que serão essenciais ao seu desenvolvimento, e que reflectem a dualidade que permeia toda a realidade conhecida.

Rapidamente surgem adultos para preencher esses espaços. A mãe será aquela que alimenta e protege em primeiro lugar. Que lugar fica reservado ao pai? Encontramos o Pai (P grande) encontramo-lo na posição do Sol – o seu signo, casa e astros ou pontos do mapa natal que com ele estabelecem contactos (os aspectos). Se o pai é sempre o homem (por motivos também biológicos), o lugar do Pai astrológico não será forçosamente ocupado por um homem – mas por alguém que representa para nós o arquétipo solar do herói, daquele que pela força da sua consciência e do seu carácter se esforça por crescer, desenvolver, amadurecer. O Sol no mapa astrológico mostra por isso que tipo de relacionamento temos com o nosso Pai, de que forma nos orientamos em torno do seu exemplo e dos seus ensinamentos (como uma planta que cresce buscando a luz), que desafios e oportunidades esse Pai nos reserva.

É curioso que as pessoas que mais me procuram em consulta poucas vezes têm um Pai astrológico muito favorecido, daquele que fornece generosamente as condições necessárias para um crescimento óptimo: um Pai que emana respeito sem ser austero, que dispensa apoio incondicional sem nunca deixar de incentivar a ir mais longe, que não recua perante a incerteza ou o medo de crescer mas antes prefere a verdade de uma vida cada vez mais consciente às ilusões da estagnação comodista. Aqui encontramos muitas vezes o Sol em aspeto harmonioso a Júpiter ou Marte, ainda que temperado pelo bom senso e a humildade de outros elementos do mapa. Como eu disse, este Pai astrológico não é assim tão frequente – talvez porque, como em tempos me disse um querido amigo, procura Astrologia que sofre e não quem vive achando que está tudo porreiro.

Crescer e viver com um Pai astrológico um pouco mais disfuncional significa muitas vezes ter de lidar com a severidade de Sol-Saturno, a vitimização de Sol-Neptuno, a imprevisibilidade de Sol-Urano ou a prepotência de Sol-Plutão. Se o Sol está isolado (sem aspectos significativos a outros astros) temos quase uma ausência de Pai – o pai até pode estar fisicamente presente, mas não mais do que isso. Sem um sol constantemente revitalizador como pode a semente do nosso potencial desenvolver-se rumo a uma vida mais consciente?

O primeiro passo é perceber que a pessoa que é o nosso pai e o Pai que temos dentro de nós não são a mesma coisa. Pela pessoa, só ela própria pode ser responsável e não nos compete a nós corrigir, emendar, remediar. Pelo Pai que habita em nós, há muito e tanto que podemos fazer! Em primeiro lugar, aceitar o que é da nossa responsabilidade enquanto adultos – o Sol é a “nossa” missão, de mais ninguém. Nenhuma luz pode iluminar-nos verdadeiramente que não a que temos dentro de nós. Resta perceber que luz é essa e de que forma podemos alimentá-la, engrandecê-la, fazer dela um farol de consciência e de propósito. Que Pai podes ser tu para ti própria? Que missão te compete concretizar? Que cantos escuros da alma deves lutar por iluminar, mesmo que e principalmente se isso significar enfrentares as tuas maiores inseguranças?

Essa é a chave para compreender o Pai através da Astrologia. Investigando e percebendo que Pai temos dentro de nós, torna-se mais fácil oferecer compaixão e compreensão pelo nosso verdadeiro pai, quem quer que ele seja como pessoa ou quem quer que tenha sido até agora na nossa mitologia pessoal (Herói? Vilão?). Porque o Sol-Pai já existia em nós desde o momento em que respirámos pela primeira vez: cabe-nos a miraculosa tarefa de iluminar o caminho que trilhamos com a consciência da sua luz.

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